Segundo Demócrito, saúde e doença são muito mais uma questão política, uma questão do interesse de quem é investido do poder de curar do que da própria possibilidade de curar. Definir o que é saúde e doença são troféus socialmente legítimos. Em outras palavras, é indiscutível o poder daquele que tem a legitimidade e a autorização social para definir o que é estar são e o que é estar enfermo. Porque o enfermo, sendo arbitrariamente categorizado como um anômalo, terá de se submeter a algum tipo de processo corretivo habitualmente chamado de cura e, normalmente, é conferido o poder para curar àqueles que têm também a legitimidade para definir o que é saúde e o que é doença. Portanto, trata-se mais de uma questão política, particularmente de poder, do que uma questão orgânica. (Explicado por Clóvis de Barros Filho).

Estas poucas linhas explicam o que uma amiga minha certa vez disse: para a indústria farmacêutica existem dois tipos de clientes indesejados – os que se curam e os que morrem.

Os doentes crônicos são o objetivo de uma indústria cuja motivação é não curar, mas lucrar.