bdsm

Já dizia William Blake: o caminho dos excessos leva ao palácio da sabedoria. Ou coisa assim.

Quando comemos um pouco mais da conta, se somos espertos, aprendemos qual seria a conta certa. E assim por diante.

Aqueles que ultrapassam os limites, sobretudo aqueles que são impostos (seja por fatores externos e, sobretudo, por fatores internos), por fim, acabam colecionando uma porção de ensinamentos preciosos.

Daí minha simpatia (embora eu não pratique como estilo de vida) pelo BDSM (sigla que abarca termos como bondage, disciplina, dominação, submissão e sadomasoquismo).

Simpatia seja por taradice e fetichismo meus mesmo (ver meu blog Pinky the Kinky – só para maiores, please), seja por filosofia, dadas suas características transgressoras por definição.

A amiga Érica Araújo e Castro acaba de lançar o livro Rainha Sara – Um. O livro contém um relato ficcional em que uma dominadora conta como obteve o primeiro de seus dois submissos. O livro é a história dele, que ela chama de Um, por isso o subtítulo.

O livro contém a descrição do relacionamento da Dominadora Sarah e Um desde o momento em que ambos conheceram-se conversando pela internet até o momento em que acontece o encoleiramento definitivo do submisso em uma cerimônia pública. Todo o relato é recheado de cenas de práticas fetichistas envolvendo látex, saltos, cordas, algemas, velas, agulhas – sendo, na verdade, o maior fetiche retratado, o da submissão masculina.

Porém, chamou-me a atenção o seguinte trecho de caráter altamente transgressivo, que ensina uma forma diferente de encarar a beleza do corpo humano e apresento a você como convite à leitura integral do livro:

Estamos no terraço, os três – absolutamente nus.

Carne exposta a olhares famintos porque o corpo é um templo – é sagrado. Por isso deve-se sempre ver sua beleza – fugindo-se de padrões estéticos estabelecidos, já que jamais importou a construção arquitetônica do local sagrado – bucólico e pacífico como os budistas ou assustador e fora dos padrões como os construídos e/ou decorados com ossos humanos. O que sempre importou foi seu objetivo, seu uso – santo.

Assim como o corpo. A padronização estética rígida limita o acesso a templos do prazer que poderiam ser até mais livres e menos cheios de limitações do que aqueles enquadrados no desejo da maioria.

Aí, caro leitor, pergunta-me você: Não seria hipocrisia dizer que não se deseja um tipo específico de corpo? Negar que todos estamos, de uma maneira ou de outra, limitados pela estética – mesmo que esta definição venha do gosto pessoal?

Sim e não.

Tome meu caso como exemplo. Acho belos os morenos. Altos e longilíneos. De olhar penetrante. Acho belos os homens que posam em revistas.

Porém o grotesco também me atrai o olhar. O deformado, o impuro. Porque há beleza em todo templo sagrado – o que importa mesmo é que ele sirva a seu propósito. No caso do corpo, de dar e receber prazer.

Ou seja, meu gosto estético não me é limitador porque ele, em si, não é limitado. O velho, o jovem, o feio, o belo, o deformado, o perfeito, o estranho, o habitual, o masculino, o feminino – todos falam à minha alma sádica.

Porque no templo corporal concentram-se todas as nossas sensações conduzidas pelo mais potente órgão sexual – o cérebro. E o meu cérebro é livre. É hedonista.

Andar na linha tem limites, constituídos pela própria linha. Transgredir, por definição nunca tem limites.

Para comprar, entre em contato através do perfil da autora.

Leia mais sobre isso em: Uma Dominatrix Ensinando Você a Ser Livre