Qualquer realização artística – e tudo pode ser feito com arte – é uma tentativa de mostrar para si mesmo que não se está sozinho. Que se pode romper o cordão de isolamento entre o eu e o outro. Que o que se sente não é algo exclusivo, mas compartilhado por toda a humanidade. Que não se sofre ou que não se é feliz sozinho. Antes de mim, um grego chorou, triste, na época de Alexandre, o Grande. Muito antes desse grego, um egípcio sentiu-se apaixonar. Ainda, um índio, em 1700, pode ter se tornado repentinamente nostálgico, lembrando de um brinquedo de barro que ganhou de um velho de sua tribo quando criança. Um chinês, ontem, sorriu ao ver o pôr do sol. E, assim, através da arte acaba-se mostrando às pessoas que contemplam essa realização que elas também não estão sozinhas. O artista é como aquele centauro que, na tentativa de curar sua ferida, mesmo sem conseguir, acabava por encontrar o remédio, não para si, mas para os males de outros que o procuravam. A arte – entre outras coisas que talvez careçam de utilidade mas sobejam necessidade – serve para aplacar o sentido de solidão que, sem ela, nos devastaria.
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