Geni e o Led Zepelim. Composição de Chico Page Buarque.
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Geni e o Led Zepelim. Composição de Chico Page Buarque.
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Uma fraude autêntica é algo bem diferente de uma autêntica fraude.
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Por que as pessoas têm o costume de atribuir modalidades de relacionamentos afetivos que fogem da norma monogâmica a algum tipo de trauma, inaptidão ou carência? E mais: porque a norma monogâmica não poderia ser fruto de algum tipo de trauma, inaptidão ou carência? Quem é diferente é doente? Ou quem é igual que é? Ou nenhum dos dois? Ou os dois?
E se, de fato, se formos falar em “trauma” muitas pessoas estejam anestesiadas para ele (não que todas o sofram) e seguem se “traumatizando” sem serem capazes de buscar algo que não as “traumatize”. É burrice. É o mesmo que meter a mão no fogo, se queimar e continuar metendo a mão no fogo, esperando que um dia ele não queime, porque, por alguma razão, o certo seja isso. O que para alguns é fogo, para outros não é. Mas cabe a cada um saber o que, para si, é fogo e não é.
Leia mais sobre relacionamentos:
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Viver é uma surpresa. A única coisa que não é surpreendente é a morte, pois todos morrem (embora até a forma como se morre possa ser de surpresa). Mas se nada mais surpreende você, não se surpreenda se já estiver morto.
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Se você já me acompanha nas mídias (blogs, Twitter e Facebook), já deve saber que eu tenho múltiplos relacionamentos abertos.
Se não, recomendo que leia alguns de meus textos sobre o tema, nesta ordem, para saber porque eu escolhi essa modalidade de relacionamento afetivo para mim e o que eu penso disso:
Mas tem uma coisa que, em termos de relacionamentos afetivos eu não faço (bem, deve ter muitas outras coisas, mas estamos falando desta específica): relacionar-me com alguém que já esteja em um relacionamento supostamente fechado, isto é, compactuar com uma “traição”.
Por dois motivos em especial:
Enfim, as chamadas relações extra-conjugais, aquelas que as pessoas desenvolvem escondidas ou mesmo supostamente escondidas, são coisas de covardes, coisas de gente comum e eu quero conhecer pessoas sobrecomuns, sobrenaturais, sobreumanas, paranormais.
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As experiências mais importantes não são aquelas que mudam você, mas as que aproximam você daquilo que você realmente é.
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Nenhuma qualidade ou defeito é monopólio deste ou daquele gênero.
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A amiga que engravidou do cara errado.
A amiga que se metia em encrencas financeiras e se casou com o cara errado.
E ela.
As três ali, conversando sobre as coisas que aconteciam e as coisas que aconteceram. De repente, do ponto em que se separaram lá atrás, vieram parar naquele em que se reencontravam e exibiam umas para as outras as coisas que coletaram enquanto andavam por diferentes praias durante aqueles anos todos.
E ela.
Ela contava para ele sobre aquele estranho momento em que as três conversaram novamente. Ele empurrava a areia com o pé, cavando um buraco com o calcanhar, distraidamente, e ouvia atentamente.
Estavam sentados sobre um pano para não sujar as roupas de areia enquanto olhavam as ondas que quebravam.
Lá longe, um grande navio. De vez em quando, alguém apontava um laser para a praia, fazendo desenhos abstratos na névoa noturna.
Talvez nenhum de nós tenha feito grande progresso nesses anos, talvez nenhum progresso seja suficiente, talvez ninguém precise ser de fato grande coisa. Talvez a gente só precise ter uma vida interessante. Não para todos os outros, não para um biógrafo, mas para si mesmo. Uma vida pequena. Uma vida pequenininha, mas interessante. Interessantezinha, pelo menos. O suficiente para ter alguém atento ouvindo se um dia você resolver contar uma passagem dela.
Coisas que ele pensava nos momentos em que parava de ouvir, quando ela parava de falar e ele não tinha nada a dizer. Coisas que pensava quando, de repente, um peixe.
Um peixe saltou do mar. Poderia ser qualquer coisa, pois só se viu o pratear por entre a escuridão da água sob a lua fraca daquela semana.
- Você viu? Você viu?
Ela vira. E a brisa, que sempre sopra fresca à noite por ali, trouxera o sorriso dela para seus ouvidos, de maneira que ele nem precisou se virar para sabê-lo.
A mágica de se estar olhando para o mesmo lugar quando um pequeno milagre acontece. Não precisar contar com a fé alheia.
E, quando os dois ainda estavam felizes com esse simples fato, ainda deu tempo de o peixe saltar duas vezes diante daqueles olhos pensativos, antes mesmo que a elasticidade dos sorrisos se desmanchasse.
As amigas estavam encantadas com a vida dela, mas sob certos aspectos achavam que deveria procurar ajuda psicológica. Parece que é errado ser feliz por determinados motivos.
Devagar, aproximou-se um rapaz. Trazia um violão. Em plena Copacabana, um rapaz arrastando um violão na areia se aproximou. Era um filme. O que mais?
Deram boa noite. O receio da intimidade invadida: sentou-se ao lado dos dois.
O receio do tempo a se perder: pediu para tocar uma música.
Era curta e curiosa, a música. Pediu para tocar outra. Também curta, curiosa e engraçada.
- Faço muitas músicas todos os dias! Esqueço todas.
Aparentemente chapado, despediu-se e foi embora. Manoel o nome dele.
As ondas quebravam de um jeito curioso ali, como explosões, em uma sequência muito ordenada e hipnótica. Ele nunca vira nada igual.
Uma mulher saiu da água. Um homem lhe disse algo que, dali de onde estavam, não pôde ser ouvido.
Caminhou na direção dos dois, que deram boa noite.
- A água está uma delícia. Não vão entrar? Sou de Minas e estou visitando minha namorada. Será que vocês a viram por aí?
Não, não viram, mas ficaram felizes por dar boa noite a alguém que segundos atrás ouvira palavras grosseiras. Um simples boa noite pode ser eu te amo a ouvidos estranhos.
- Ele só disse aquelas coisas que as mulheres estão acostumadas a ouvir…
E foi. Atrás da namorada.
Esperaram mais um pouco. Talvez tivessem mais algum encontro marcado para aquela noite e não soubessem.
Levantaram, molharam os pés e viram que a água estava geladíssima.
Voltaram para a casa, dela, pois, dali a pouco, esperavam um amigo e uma amiga.
Para treparem. Eles quatro juntos.
Algo aconteceu e os amigos não apareceram.
Coisas, então, acontecem. Mas não lembro se foram num dia anterior ou posterior.
Finalmente, ele a faz adormecer cantando músicas do Chico Buarque, lendo as letras no celular (na verdade, ficaram acordados mais um tempo, conversando, mas é mais bonito assim, dizer que ela adormeceu enquanto ouvia ele cantar) (e é mais bonito os parênteses dizendo que não foi bem assim)(e assim por diante, sucessivamente).
Difícil entender o que as amigas dela, a que casou e a que engravidou (e que na cabeça dele sempre se misturam num só amálgama), veem de tão errado na vida dessa mulher.
Não podia dizer sobre ela, apenas especular, mas dele, sim, podia dizer que a felicidade é uma coisa tremendamente simples e difícil de capturar. Como um peixe que, de repente, salta sobre as águas da praia de Copacabana.
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Sempre que escuto um motorista que SUPOSTAMENTE está com a razão buzinar para outro que SUPOSTAMENTE não está eu penso: “Muito bem!! O outro deve ter aprendido uma importante lição agora!”.
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Uma vez eu estava com meu amigo na redação do jornal e estávamos ouvindo a tv:
“Arqueólogos encontram leite com 5 mil anos de idade!”.
E meu amigo:
“Como pode?!”.
E eu:
“Longa vida.”
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Critérios para saber se você está se divertindo em uma festa/show/evento:
1. Não ter filas com mais de 20 minutos de duração (na verdade, NÃO TER FILAS; mas estou sendo flexível). As filas e a demora para se acomodar devem ser inversamente proporcionais ao valor do ingresso que você pagou.
2. Ter a escolha de ficar sentado ou em pé (se não houver opção, ao menos conseguir abaixar os braços, caso tenha entrado com os braços para cima, ou levantá-los, no caso de ter entrado com eles abaixados)
3. Conseguir ir a um banheiro sem ter de esperar muito (ver item 1) ou sem ter de se preocupar se vou adquirir alguma síndrome tropical desconhecida.
4. Conseguir fazer um pedido no balcão sem parecer que é um desabrigado em uma região de guerra, segurando a ficha de consumação como se fosse o vale racionamento, sacundindo-o no nariz do barman/garçon ao lado de todos os outros esfomeados/sedentos
Se o evento, balada ou festa de garagem em questão não atende a um dos itens acima, há a possibilidade de que você não esteja realmente se divertindo, mas talvez você consiga se convencer (leia-se: enganar-se) de que está. Sobretudo se pagou caro por ele.
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Não basta bater na porta antes de entrar. Calcule o tempo de as pessoas vestirem suas calças antes de abri-la
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Amizade.
Sempre amizade.
Baseada em verdade, clareza, gratidão e liberdade.
Tenho vários relacionamentos, mas todas as meninas com que saio sabem como sou, o que podem esperar de mim e algumas delas até se conhecem e já saíram juntas.
Falar a verdade, desde o início, ajuda a aproximar quem gosta do jeito que você pensa e afasta aqueles que não gostam.
E mantém perto aquelas pessoas que gostam de você, independentemente de como você pensa. E essas não se surpreenderão negativamente mais tarde.
Por exemplo, eu tenho relacionamentos muito íntimos com cada uma dessas meninas, mas não poderia dizer que qualquer uma delas é minha namorada.
Não é isso.
Acontece que posso dar a cada uma delas coisas que outras pessoas não poderiam. E outras pessoas dão a elas coisas que eu não poderia.
E cada uma delas dá coisas pra mim que só individualmente dão.
Por outro lado, há coisas que, sozinhas, cada uma delas não dá. E que eu, como ser humano, preciso. E de maneira nenhuma pediria para ela. E, então, busco em outra.
A liberdade entra no que diz respeito a permitir mutuamente essa busca.
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O trabalho deveria ser antes um instrumento que preenchesse a necessidade de autorrealização que todos temos e, portanto, espontâneo e EM SI MESMO realizador; e não apenas uma etapa para se obter o dinheiro que é preciso para uma autorrealização ilusória na compra de bens quase sempre desnecessários e que, enganosamente, nos vendem como portadores dessa autorrealização.
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Os gestos das pessoas são movidos por seus objetivos.
Dos mais primais, materiais, objetivos e pontuais – como a busca por alimento -, aos mais sutis, subjetivos e amplos, de que darei um ou dois exemplos à frente.
Quanto mais primais, materiais, objetivas e pontuais são as necessidades que movem nossos gestos, menos evoluídos estamos. Seja porque não temos condições para isso (pobreza, ignorância, opressões externas) ou por falta de vontade mesmo. Se ficamos apenas nesse plano, neste nível, somos levados para lá e para cá pelas vontades alheias e pelos desejos que nos vendem como nossos mais autênticos anseios.
Se você escolhe um objetivo para sua vida, um objetivo sutil, subjetivo, amplo e nobre, ele pode nortear inclusive aqueles objetivos mais primais, dando unidade e integridade a cada palavra, a cada pensamento e a cada movimento seus.
Por exemplo, neste momento de minha vida, meu objetivo é “aproximar as pessoas umas das outras”, um objetivo que escolhi por motivos que não cabe explicar agora.
Duas características desse tipo de objetivo:
1. Ele diz mais respeito aos outros que a você, embora seja pessoalmente gratificante realizá-lo
2. Ele não tem fim; nunca você poderá dizer: acabei, já realizei todos os meus objetivos e sonhos; sempre haverá algo a fazer a seu respeito
Assim, nesse exemplo, usando esse objetivo como norte, posso dar integridade a tudo o que faço e saber objetivamente quando não fui capaz de fazê-lo (ninguém é santo).
Se eu como, posso pensar: estou comendo porque isto vai, ainda que indiretamente, me ajudar a aproximar as pessoas umas das outras.
Se quero comprar um carro ou uma casa, posso pensar: isto vai me ajudar a aproximar as pessoas? Como vai me ajudar a aproximar as pessoas?
Se eu continuar neste emprego, estou ajudando a aproximar as pessoas?
O “objetivo de vida”, vamos chamá-lo assim, também ajuda a separar o joio do trigo: os desejos que surgiram efetivamente de sua vontade e os desejos que vieram de fontes externas, como a publicidade ou outras influências, nocivas ou não.
Uma das melhores formas conferir integridade a si mesmo é ter um objetivo de vida.
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Por que as pessoas usam flash em estádios ou grandes eventos para fotografar coisas que estão totalmente fora do alcance do flash?
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Existem duas definições que ajudam a entender o termo integridade e das quais gosto muito.
A primeira delas tem a ver com a definição de Ética que didaticamente nos expõe Mario Sérgio Cortella (e provavelmente outros especialistas do tema).
A integridade ética acontece quando conseguimos responder satisfatória e harmonicamente às perguntas: quero? devo? posso?
Nem tudo o que eu posso eu devo.
Nem tudo o que eu quero eu posso.
Nem tudo o que devo fazer eu quero.
Respostas que apontam uma para cada lado, desintegram as suas potencialidades, como uma carroça que é puxada por dois burros que vão para sentidos opostos.
A carroça ou não sai do lugar ou se parte. No ser humano, isso tem consequências mentais, emocionais e até mesmo físicas: quantas pessoas sofrem por trabalharem em algo que paga as suas contas mas que as ofendem moralmente?
Mas se em cada uma de suas palavras, atitudes e pensamentos você consegue ao menos se indagar sobre essas questões está se aproximando mais do se pode chamar de integridade.
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A mentira sempre acontece por medo.
Por medo de perda de certa condição ou estado – cômodo ou agradável naquele momento – caso a verdade seja revelada.
Trata-se do receio da perda. Ou, então, o fato de considerar que uma mudança de condição ou estado é uma perda. Ora, a vida é mudança. Não se trata nem de ganho nem de perda, mas tão somente mudança. Aceitar a mudança é aceitar viver.
A mentira, portanto, sempre acontece por medo da mudança e constitui uma recusa à vida.
Descobri que quanto mais transparente tenho sido em meus relacionamentos, mais me percebo capaz de encarar positivamente as mudanças pelas quais eles passam e mais fáceis e proveitosas elas têm sido.
Posso ser qualquer coisa. Monogâmico, poligâmico ou até mesmo casto.
Desde que isso esteja claro e verdadeiro, tudo é possível.
Pois uma das mudanças de estado que as pessoas mais temem é a mudança entre ter seu comportamento aceito e não ter seu comportamento aceito por aquela pessoa a quem ama e por quem é amado.
Eventualmente, você não será mais aceito por determinada pessoa ao assumir verdadeiramente um comportamento. Mas será aceito por outras.
E, acima de tudo, será aceito por si mesmo. Ser verdadeiro consigo mesmo até o osso, sem se preocupar antes com a aceitação de terceiros, é um grande passo para obter a aceitação e o respeito de terceiros.
Embora esse seja apenas um efeito colateral do grande poder que só a verdade lhe dá.
Acima de tudo, a verdade também não é algo que se diz, mas algo que se vive. Você pode ser verdadeiro sem dizer ou escrever uma única palavra. Bem como mentiroso.
Tem a ver com integridade: aquilo que quero, aquilo que posso e aquilo que devo vibram harmonicamente no mesmo acorde.
Considerando isso, faço uma pergunta que não precisa responder: seu relacionamento é verdadeiro ou mentiroso?
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Quando dizem “A verdade vos libertará” na real é não aquela que você lê ou ouve, mas aquela que você deve ser capaz de dizer e, em seus atos, demonstrar.
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Como você já deve saber, eu adotei um estilo de vida que exclui a possibilidade de relacionamentos monogâmicos possessivos. Não que essa modalidade de relação afetiva em si não seja boa, apenas não serve para mim (leia sobre isto aqui , aqui e aqui).
Um amigo perguntou-me sobre como eu me sinto quanto aos outros relacionamentos de minhas parceiras. Se eu fico incomodado quando elas me contam algo.
Quando há muitos e muitos anos eu estabeleci um relacionamento aberto (nunca é demais dizer que a expressão relacionamento aberto pode ser inúmeras coisas dependendo da cabeça do cristão que a lê ou ouve) com uma garota, lembro que, no início, eu gostava de ouvir suas aventuras com outros meninos ou meninas. Isso só fazia aumentar minha admiração por ela, achá-la ainda mais fodona e ter mais tesão por ela.
Mas aos poucos, isso foi mudando. De uma forma que, passado algum tempo, aprendi diversas coisas importantes que tento usar para pautar meus atuais relacionamentos afetivos.
Acontece que, ao longo de nossa convivência, permitimos que nosso relacionamento fosse rotulado. Digamos pela palavra namoro ou mesmo casamento ou mesmo pelos rótulos que não têm palavras e se expressam através de certos comportamentos e signos que são interpretados desta ou daquela forma pela sociedade.
Quem rotula, limita, pois para a ótica de terceiros, uma vez compartimentada uma situação, uma vez classificada, ela não deve sair daquele compartimento. Ou, se sair, sai com dificuldade, com traumas e cobranças. Porque os rótulos, esses sinais, servem para que como sociedade entendamos o mundo e qualquer coisa que viola essa linguagem, viola o entendimento do mundo, provocando uma espécie de dissonância cognitiva: afinal se a gravidade existe é inaceitável que alguém ande no teto, ainda que essa pessoa consiga, dói nos olhos, dói nos ouvidos e dói em tudo o que aprendemos antes. Relacionamentos que violam o que as pessoas entendem por um relacionamento monogâmico – acima de tudo o que elas entendem por correto e imutável – fere o que se aprendeu durante toda a vida.
E, assim, o rótulo, uma vez aceito, acaba pautando o comportamento do casal, pois o grupo sempre é mais forte que o indivíduo e sua influência é inevitável, sutil e poderosa.
Desta forma, tão logo aceitamos e permitimos os rótulos (os com palavras e os sem), abrimos as portas para certas coisas que hoje chama do Dependências Neuróticas Mútuas.
Digamos que eu seja deficiente em algum setor da minha emocionalidade que me faça precisar de alguém perto de mim. Digamos que a outra pessoa tenha uma deficiência emocional que a faça não lidar bem com dinheiro. A dependência neurótica mútua se dá, nesse caso pela troca que se estabelece em que um dá o que o outro precisa. Para isso acontecer, nada é combinado. Antes fosse, pois aí haveria uma coisa importante em qualquer relacionamento: clareza. A coisa se dá em silêncio e é algo natural (quem disse que tudo o que é natural faz bem? Cicuta é natural e matou Sócrates) e entra na vida do casal por meio de subterfúgios.
Logo, como um cipó parasita que envolve o tronco de uma árvore e a sufoca, aos poucos as dependências neuróticas mútuas estrangulam a relação. Assim, vemos o tronco da árvore em pé, mas o a sua sustentação está morta ou quase morta em meio ao parasita. No caso da relação, o que vemos na verdade é algo que ainda funciona, mas a essência que uniu o par desapareceu. A única coisa que os mantém juntos são as dependências (leia sobre isto aqui)
Tão logo permitimos os rótulos, essas dependências se instalaram e, logo, percebi que ouvir sobre as outras aventuras dela me causavam desconforto. Assim, aos poucos, passei a não suportar ouvir sobre os relacionamentos extras de minha parceira a que, supostamente eu tanto amava e cujas outras vertentes afetivas, antes, me empolgavam tanto. Ela ficava frustrada por não poder contá-los a mim e, além disso, surgiram cobranças de lado a lado, coisa que não deveria haver e que antes, de fato, não havia.
Assim, esse foi outro motivo (leia o outro motivo, caso não tenha clicado no link acima) pelos quais decidi não estabelecer um relacionamento fixo ou rotulá-los e, realmente, só os chamo de relacionamentos neste momento, neste texto, porque preciso me comunicar com você leitor. De outra forma, não haveria sequer um nome para isso. São pessoas que encontro, cada uma a sua maneira, e com a qual vivo momentos de uma afetividade mais ou menos específica, sempre em busca de uma maior profundidade, de conhecer e reconhecer. Mas até essa descrição vaga é nomear o que não deveria ter um nome… as armadilhas da comunicação humana. Palavras mais enganam, iludem e nos passam a perna do que nos ajudam a nos entendermos. Mais valem os gestos.
Desse modo, hoje, não, não me incomodo em ouvir as histórias de minhas parceiras com outros homens ou mulheres. Pelo contrário, gosto muito de ouvi-las e sinto que há grande intimidade nisso.
Sei que há outras pessoas que têm relacionamentos abertos estabelecidos – com pessoas que podem chamar de namoradas ou esposas, namorados e maridos – e compartilham normalmente os seus envolvimentos emocionais e sexuais extras (sim, emocionais; quase nunca é só sexo).
Mas como eu disse, isso é o que funciona para mim. Assim como para outros o que funciona é o celibato ou um relacionamento monogâmico ou outras variedades que alguém mais experiente e criativo que eu pode listar.
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Às vezes é difícil viver pelas regras que consideramos aquelas de uma vida boa e justa. Então, dentro do possível, não siga regras. Regras mudam. A vida não. A vida não muda. Essa sequência de dias e noites que não voltam mais e que você preenche com seus gestos, palavras e pensamentos, um quadro negro sem metro quadrado, um novelo de lã que se trança como pode. Nela, nesse decorrer, por vezes você dorme um sono negro e sem sonhos e às vezes acorda sobressaltado às três da manhã. Na ponta final da vida (que é sempre hoje, embora a expectativa de que a ponta sempre se estenda para o dia seguinte), somos o balanço das coisas (não direi coisas boas ou más, pois em si as coisas não são nem boas nem más) que fizemos ou deixamos de fazer. A aritmética do único instante que realmente importa, este. Ao não seguir regras, no entanto, evite a todo custo ferir os outros (eu sei: no fim das contas isso é uma regra e eu acabei de dizer para não seguir regras). E, apesar de qualquer esforço seu, saiba que às vezes isso de ferir é inevitável, porque as pessoas mais se deixam ferir do que são involuntariamente feridas. Imagine-se como um projétil que deve e pode se desviar de possíveis vítimas. Mas você mesmo já se deixou ferir estupidamente, como se não soubesse o que estava fazendo. E também feriu porque às vezes pode acontecer de você não conseguir se controlar ( isso não é atenuante: tendo controle ou não você sofrerá as consequências de ter ferido alguém). O antídoto para isso: clareza. Para si e para os outros. Ninguém mete a mão no fogo pois, na maior parte das vezes, o fogo é evidente (ele tem clareza de sua natureza) e a maior parte das pessoas sabe que não deve colocar partes de seu corpo nas chamas(cuidado com as que não sabem ou fingem não saber: elas vão culpar você pelas queimaduras). Uma regra para uma vida justa e boa que, quem sabe, vale a pena seguir: não queime os outros. Mas saiba que haverá momentos em que até essa regra pedirá para ser quebrada. Viver é foda.
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Permite-me vontades que nem ela mesma é capaz de satisfazer.
E, permitindo que as realize de todas as formas, me possui.
Por minha vez, a cada ocasião em que a encontro, sinto falta de ser mais devasso
(ainda que existam muitas formas de o ser).
Quando, por exemplo, o carinho e o cuidado se fazem mais necessários
(e às vezes nesses substantivos moram as outras formas de ser mais devasso).
(outras formas de ser mais devasso: pintar a parede, fazer sopa, comprar ingressos, ficar quieto)
Fico até um pouco ansioso porque pouco é o tempo.
Tempo para, além de ser o que julgo certo nesse pouco, ser também o que julgo errado.
Ganas de apresentar-me a ela sob tantos aspectos possíveis que faltariam instantes no Universo para que todos aspectos possíveis fossem.
Falta até espaço. Esse tipo de ansiedade é o não caber do querer em si mesmo.
E, não cabendo, transforma-se a ansiedade em uma suspeita aceitação, daquelas que têm os que se jogam no abismo com um sorriso nos lábios.
A vontade de ser aparado pela teia invisível das vontades dela (ela mesma desconhece onde se prendem as pontas dessa teia).
Pra ela, quero ser puto, cão, homem, pintor, cozinheiro, o que faz rir e ri de si mesmo, motorista, forte, herói das Américas, fraco, o primeiro homem a pisar na lua, o último dos vermes, o amante que surge entre as duas e três de manhã e sai pela janela, o simples objeto a ser usado, fodão, falante, calado, dançarino, poeta, mudo, fiel, vadio, perfumado, o cara que anda descalço e deita com os pés sujos e assim os descobre e vai lavá-los envergonhado, o que chora no cinema, o que não chora no cinema, o velho, o jovem, a criança, o que precisa ao menos encostar os pés para dormir, o que dorme em outra cidade, o casto, o impuro, o sedento, o que chega na última hora e o que partiu sem se despedir, o que beija, o que não beija
(etc)
Sua presença me ajuda a descobrir minha própria diversidade e meu poder.
Os pedacinhos da vida dela, estes de que faço parte, me fazem em pedaços, me fazem múltiplo, me fazem um, me fazem vários.
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A alegria não vem de presente. É uma mistura de oportunidade e esforço. No começo, você precisa aproveitar as oportunidades para ficar alegre, porque não sabe bem como fazer para que isso aconteça e talvez até ache que é um presente do acaso, da sorte, da vida. Depois, se você ficou um pouco mais esperto com o tempo (e não o contrário, como costuma ser para a maioria das pessoas), aprende a criar essas oportunidades. E, para isso, para criar essas oportunidades, às vezes, precisa de esforço, porque quase sempre o MAIS FÁCIL é ficar triste e grande parte do mundo prefere o mais fácil. Assim, você tem de se esforçar na direção dela, a alegria. E, com o tempo, vai aprendendo o caminho até ela e vai ficando cada vez mais fácil chegar ali. Talvez não precise mais nem das oportunidades, porque a alegria é algo que está em você e basta acessá-la quando quiser. Independentemente da situação, você conseguirá ter alegria. Como nadar, andar de bicicleta, digitar ou jogar pingue-pongue, a alegria pode e deve ser exercitada para nos tornarmos cada vez melhores em sermos alegres.
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Curitibano branquelo ajudando a grande amiga a pintar a parede do apartamento novo.
Na loja, Rio de Janeiro, pergunto ao vendedor:
- Certo. E quantas demãos dessa tinta são necessárias?
- Umas três. Mas, com esse tempo, vai precisar de umas quatro horas entre cada demão.
Ah, o calor carioca, pensei. Talvez se ligarmos o ar condicionado aceleremos o processo.
E o vendedor:
- Com esse frio todo, demora mais.
Eu concordei, enquanto enxugava o suor da testa, com um suspiro.
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Por favor, vão logo para o céu e deixem as pessoas de bem fazerem o que quiserem com seus cus, paus, bucetas e corações.
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Em 2007 meu pai foi diagnosticado com câncer, basicamente em toda a parte, e em 2008 ele partia.
Até hoje fico impressionado com como ele enfrentou essa aventura de um ano.
Ele não teve uma vida especialmente marcante – embora certamente tenha marcado quem o conheceu com seu carisma, correção e gentileza.
Era um bom homem e, apesar de ser um pouco explosivo e às vezes perder a paciência mais consigo mesmo que com os outros, era muito amável, sensível e, como eu, um manteiga derretida. Lembrava um pouco o Pato Donald, embora tivesse a voz mais bonita e uma barba branca e cerrada.
No proximidade da morte, não se arrependia de nada. Morreu sem medo e até ria da situação. A gente às vezes acha que uma pessoa para morrer em paz precisa ter realizado grandes coisas, mas acho que não é isso. Morrer bem, talvez nada tenha a ver com dever cumprido.
Alguém disse, não lembro quem, que a filosofia é aprender a morrer. Então meu pai era um filósofo e eu nem sabia.
Sempre que eu penso no momento da minha morte, que como para todos acontecerá amanhã ou depois, fico imaginando se terei a mesma disposição, aceitação e coragem.
Quero dizer, meu pai sequer precisava fazer força para ter coragem contra a morte. Simplesmente não precisava porque já não tinha medo.
Gostaria de fazer jus, quando chegar a hora, a todas essas coisas que esse ano de luta me legaram. Não bastasse o que meu pai me ensinou em vida, ele ensinou-me também na morte.
As coisas que eu aprendi com ele:
1. Ele não reclamava. Mesmo com toda a tortura do tratamento, ele não demonstrava fraqueza, estava sempre contente e, se havia graça, rindo. Bem, se todo o mundo vai morrer, mesmo, por que reclamar tanto da vida? Sempre que vou reclamar de algo, procuro lembrar: caraca, eu estou morrendo, não vale a pena.
2. Ele não tinha medo da morte. Apenas de sofrer, coisa mais natural. E, por ocasião da evolução da doença e do tratamento, não sofreu. O medo, suponho, antecipa os sofrimentos e sem o medo ele evitou-os ao máximo. Se você consegue olhar para a morte e dar um jeito de rir, acho, tudo fica mais fácil. Como não ter medo da morte? Não sei. Quando eu souber eu conto pra você.
3. Ele tinha gratidão. Mesmo sabendo que em breve não estaria vivo, mesmo com dor, mesmo limitado pela doença, não cansava de dizer que adorava a vida, estar vivo e demonstrava essa gratidão sempre que podia. Atualmente, eu considero a gratidão pela vida e por tudo uma forma superior de amor e venho, com todas as dificuldades que têm um reles mortal, tentando desenvolvê-la
4. Ele conseguiu se desapegar das coisas. Percebeu que nada disso aqui, na verdade, pertencia a ele e passou a não dar importância a ninharias. Sabe? Tudo passa. Não adianta ficar preso às coisas, às pessoas e mesmo às emoções. Essa é uma das lições mais difíceis de assimilar no dia a dia. Somos muito apegados. É uma questão de sobrevivência. Está em nosso DNA.
5. Ele acertou as contas com todo o mundo que foi possível e, com aqueles que não foi possível, bem com esses também não há com que se preocupar. Lembro de ter tido a oportunidade de dizer a ele, numa das idas à radioterapia, que sentia que ele não me devia nada e ele disse o mesmo de mim. Portanto, esteja sempre com as contas em dia com as outras pessoas, dentro do possível. Eu e meu pai tivemos um ano para fazer isso. Mas você nunca sabe quando uma pessoa querida irá partir. Acerte as contas agora (AGORA!) e, de preferência, de uma maneira positiva para os dois lados. Nem todo o mundo tem a sorte que as últimas palavras a seu pai sejam “eu te amo”. As minhas foram e as ouvi de volta.
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Matar um passarinho, que está pousado no galho sem incomodar ninguém, com uma pedrada e mexer com uma mulher que anda distraída na rua, pra mim, são dois gestos completamente diferentes, mas que estão na mesma categoria de violência.
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Um homem consegue andar por duas quadras em meio à gente e esquecer de si mesmo nesses minutos e nesses passos, livrando-se momentaneamente do peso da existência, seja lá qual for sua gramatura. Uma mulher não, pois terá sempre esses homens, esquecidos de si mesmos, a lembrar-lhe com palavras e gestos desagradáveis que ela está indo do ponto a ao ponto b e que jamais poderá fazer isso despreocupadamente.
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A chamada normalidade está tão absurda que, para estar realmente bem e se limpar das neuroses coletivas, você precisa ser discretamente louco (pra que ninguém perceba).
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Texto enviesadamente inspirado por esta canção de Alexandre Nero:
Até os 25 anos (idade estimada) eu acreditava completamente no amor romântico em que se vivia um para o outro o resto da vida.
Depois, na inércia, continuei acreditando ainda, mas sem a fé necessária àquelas crenças que não passaram pelo crivo do experimento científico para serem largamente aceitas nas revistas acadêmicas.
Depois de alguns anos, após sincero, profundo, longo e mesmo doloroso inquérito pessoal, descobri o que eu realmente quero: eu quero fuder o dia inteiro.
Ainda que, na prática, fisiológica, física e socialmente isso não seja possível, por uma série de fatores é o que eu francamente quero: fuder o dia inteiro.
E não com uma só mulher. Quero com várias. E, mais, não quero abrir mão do amor, pois fuder o dia inteiro com várias e variadas mulheres não impede outros tipos de amor, nem maiores nem menores, que o amor romântico. Talvez mais possíveis, no entanto, que o amor romântico.
Sei que outros homens e mulheres, depois de sincero, profundo, longo e mesmo doloroso inquérito pessoal, como o que eu fiz, chegarão à conclusão de o que querem é, sim, o amor romântico. E talvez queiram mesmo.
Porém, descobri que às vezes o que eu queria se confundia com o que outras pessoas queriam e, por muito tempo, achei que o que os outros queriam era o que eu queria.
E separar o querer dos outros e os quereres seus dá trabalho e exige coragem.
Coragem, pois, ao terminar de separar, você vai ser diferente e diferente não é gente.
Alguns, iguais, vão dizer até que o que você quer é inferior, pois não creem em diferença sem magnitude, precisam que algo seja maior ou menor para entenderem a exisitência conjunta dessas duas coisas distintas no universo.
Pobres dos que assim julgam, pois acharão que o elefante e o espinafre serão este pequeno e aquele grande, ignorando suas distinções mais essenciais que é ter presas e orelhas grandes um e ser o vegetal preferido do Popeye o outro.
Quero fuder o dia inteiro, é isto o que eu quero e isto não é nem maior nem menor que outra coisa, é apenas diferente e apenas é.
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