Fuga de relacionamentos

Esses dias ouvi que a minha preferência por alternativas aos relacionamentos afetivos tradicionais (namoros e casamentos monogâmicos e monoândricos) indicaria que:
1. eu fujo de relacionamentos (leia-se: relacionamentos monogâmicos)
2. e que eu precisaria fazer análise por causa disso
A afirmação foi feita por uma psicóloga de modo indireto por conta da citação de uma amiga muito querida em sua sessão de terapia.
Ora, a psicóloga não poderia estar mais certa em sua primeira afirmação: claro que eu fujo de relacionamentos monogâmicos. Se eu descobri que esse não é o relacionamento mais adequado para mim, o que me deixa mais feliz e aquele vai me aproximar ainda mais do que sinto que sou e que ainda quero me tornar, é claro que fujo desse tipo de relacionamento. Embora fugir seja um verbo muito dramático, mais usado pelos admiradores das comédias românticas. Eu simplesmente evito, deixando claro às pessoas com quem me envolvo qual a minha natureza, evitando os enganos e mágoas que costumam acontecer em relacionamentos em que os pares não têm bem claro aquilo que querem. O que me preocupa nessa afirmação, no entanto, é que os profissionais tenham que estudar três ou quatro anos para fazê-la, visto que é óbvia. Ainda que, sem o complemento do adjetivo monogâmico, a afirmação esteja incorreta: eu não fujo de relacionamentos, pois tenho vários, de diferentes qualidades, níveis e intenções, porém todos sinceros e completos dentro de suas possibilidades, com maior ou menor intensidade.
Na segunda afirmação, porém, fico preocupado. Não entendo por que uma pessoa que está buscando aquilo que a faz se sentir mais adequada dentro do mundo precisa, de repente, fazer terapia para se encaixar ao que o mundo acha adequado. Tenho muitos motivos para fazer terapia. Mas não esse.
Estarão nossos psicólogos agindo de forma moralista? Ou aplicando seu modo individual de ver a realidade, sem levar em conta as necessidades de seus pacientes?
E mais: por que hierarquizar psicológica e socialmente certos relacionamentos como se os outros fossem menores?
Alguns psicólogos andam vendo comédias românticas demais.

2 Comments

  1. Concordo plenamente com você!

  2. wilian pereira domingos

    agosto 16, 2014 at 1:06 am

    Puta achei foda!!!

Por favor, seu comentário é MUITO importante.

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