Por que decidi ficar solteiro para sempre

casamento

Até poucos meses atrás eu tinha um relacionamento sério com uma garota e podíamos nos relacionar também com outras pessoas.

De fato, descobri há algum tempo que este é a melhor forma de eu viver mais plenamente minha vida emocional e sexual, de uma maneira mais próxima àquilo que realmente sou e ainda quero ser. (Leia sobre isso em meus textos: Fuga de Relacionamentos e em Eu Amo Várias Mulheres ao Mesmo Tempo)

Porém, eu enfrentava uma certa dificuldade.

Enquanto para ela era relativamente fácil estabelecer outros relacionamentos além do nosso – na medida de seus desejos e emoções -, para mim havia certos obstáculos a mais.

Acontece que, para o resto do mundo que nos conhecia, nós tínhamos um relacionamento, um namoro ou mesmo um casamento pois vivemos juntos durante seis anos.

Diante deste cenário, eu vou expor o comportamento que observei entre homens e mulheres que se envolveram conosco em  maior ou menor grau e talvez outras pessoas que tenham a mesma postura quanto a alternativas de relacionamentos afetivos confirmem ou não minhas observações.

Ao desejar outra pessoa ou mesmo ter sentimentos por ela, minha parceira manifestava de alguma maneira esses desejos e sentimentos. Em um primeiro momento essa outra pessoa ficava mais ou menos cautelosa, por saber que minha parceira estava em um relacionamento, mas imediatamente ao saber da natureza desse relacionamento ficava tranquila e as coisas aconteciam.

Tenho algumas teorias sobre isso, todas são generalistas e por isso certamente haverá exceções em maior ou menor grau. Mas ei-las:

  1. Normalmente, homens não se preocupam com a continuidade que terá o encontro entre duas pessoas
  2. Embora emoções sempre estejam envolvidas, homens em um primeiro momento estão mais interessados na possibilidade do sexo
  3. Dá-se uma importância menor ao que a outra parte de casal pensa ou despensa (no caso, eu). O que num relacionamento desta natureza, com estas regras, está muito correto

Por meu lado, com raras exceções, observei que as mulheres, mesmo sabendo a natureza de meu relacionamento com minha parceira, suas regras claras e leais a um só tempo, ainda assim, não se sentiam à vontade com as possibilidades, o que obviamente eu aceitava e respeitava, embora intrigado e contrariado em meus desejos e emoções (afinal, não se pode ter tudo o que quer e nem todo dia é dia de estrogonofe).

Não sei ao certo por que isso acontece, mas o fato é que acontecia. A única coisa que posso fazer é tecer teorias, todas generalizantes como as outras acima e que por isso, nunca é demais destacar, irão contra alguns casos individuais.

  1. Mulheres tendem a se preocupar com a continuidade e com as consequências que terá o encontro entre duas pessoas
  2. Elas também terão uma maior preocupação com as emoções envolvidas, por mais que estejam também interessadas em sexo. Ainda que haja emoções (pelo menos no meu caso), a incerteza quanto a isso complica mais qualquer decisão a este respeito
  3. Por saber que você está em um relacionamento, ela se preocupa com a outra parte do casal, principalmente se for amiga da outra parte. Mesmo separado há meses, algumas amigas de minha antiga parceira receiam me procurar por medo de ferir algum sentimento dela, coisa que definitivamente não acontecerá

Desse modo, declarando-me solteiro, resolvo pelo menos duas partes dessas três questões, restando apenas a primeira.

Não estou em um relacionamento (em verdade, estou em vários, todos sérios, com diferentes intensões e intensidades, mas todos importantes). Não existe uma outra parte, portanto. Além disso, as emoções sempre estarão evidentes. Pelo menos, eu me pauto pela clareza em qualquer relacionamento. Seja afetivo ou não.

Quanto à continuidade desse relacionamento, que é a primeira questão acima, ela estará evidente em algum sentido (pelo menos no sentido de que não teremos um relacionamento monogâmico, monoândrigo, exclusivista, etc) e, imediatamente, ao saber disso, a pessoa poderá fazer a escolha mais correta de acordo com sua personalidade.

Ainda assim, a continuidade desse relacionamento é uma incógnita cheia de posssibilidades o que ao meu ver, é mais interessante.

Nota: eu também falei sobre esse tema mas de outra forma no texto Relacionamentos Abertos.

photo credit: Groom and bride via photopin (license)

13 Comments

  1. Do meu humilde ponto de vista, não consigo separar sexo e expectativas, emoções ou sei lá que nome tenha. Não consigo. Pra mim está tudo junto e misturado.

    Assim como no mesmo bolo, pelo menos pra mim, estão as “emoções” e a “razão”. Ambas são construídas e capazes de nos levar a cometer as maiores mediocridades com nós mesmos e com os outros. Ambos nos aprisionam num determinado ponto de vista, num determinado modo de ser e agir que consideramos personalidade, ou, mais rarefeito e indeterminado ainda, o que “eu” sou.

    E é esse “eu” quem abdica essa tal “liberdade”, esse tal querer, que parece tão indefinível quanto o próprio “eu”. A partir daí, não vejo muitas vantagens nesta ou naquela determinada maneira de ter um relacionamento. Meu eu é tão inconstante e de tão difícil acesso, mal sabe separar o que é sua demanda ou demanda externa, que não sei bem se eu sei o que quero. Pela lógica, eu não deveria ouvir-me. Mas veja bem, aqui, pra fazer esse serviço absurdo de viver, só tem eu mesmo.

    Se sendo a única responsável pelos meus próprios passos (mas sem esquecer que posso estraçalhar muitas coisas com eles), só posso, no frigir dos ovos, estar disposta de arcar com as consequências das escolhas que fiz. Dos passos que dei. Posso experimentar algumas receitas, afinal, outros existiram por aqui antes de mim…

    Os passos, as escolhas, não surgem do nada. Tem uma história aí. Há um cadência, um ritmo, mesmo que tão sutil que somos incapazes de separar o eu de nossas projeções, há uma possibilidade de análise e mudança.

    Daqui onde estou, ir atrás disso (?) diminui muito essa ânsia de sexo x liberdade x segurança. Não que sexo não me interesse. Ou o deleite de “reconhecer uma alma interessante”. Muito pelo contrário. Não há nada mais delicioso que descobrir-se maravilhada com o cheiro, a cor e o suor de uma pele nova ou ter aquela sensação de que se chegou a um oásis quando se acha que você finalmente “encontrou a pessoa”.

    Mas sei lá… outras coisas devem existir, não? Afinal, esse “eu” parece não ter fundo, né? Terreno mais interessante pra explorar não deve ter.

  2. Eu gosto de ler a maneira sutil e bem humorada de como você expõe sua vida pessoal pra nós. (Queridos Leitores).

    Mas diferente de minha colega acima, sexo é sexo, não misturo as coisas, entre aspas…
    Gosto de tê-lo sem amor, isso não me importa muitas vezes, e me faz bem pois me sinto viva.
    Mas é lógico que sou HUMANA e MULHER, logo, quero que exista sinceridade nas preliminares (não lá e sim cá).
    Não é por dizer isso dessa maneira, que sou uma pessoa que deseja ser desrespeitada ou distratada, nem mesmo “fácil” ou “fria”. Tão pouco sou uma puta gratuita ou uma mal amada.

    Apenas entendo que minha carência feminina, vez em quando, requer afago, e nesse afago, um bom sexo sempre cai bem.
    Não necessariamente um relacionamento que me aprisione, nem um ser que me distrate ou desrespeite.
    Mas não necessariamente que se “abra” ou “feche”.
    Não sabendo o que quero, sei que como humana, quero “carne” e carinho, para fingir ter àquilo que nem sei querer.

    É estranho não saber exatamente o que se quer num relacionamento, ou não saber como lidar com isso, com um querer maior que sua forma de vida.
    Carinho e outros fluídos é o que desejo por enquanto.

    Gosto dessa frase de Pedro Juan Gutierrez, no único livro dele que li: Trilogia Suja de Havana – “Sexo é um intercâmbio de líquidos, de fluidos, de saliva, hálito e cheiros fortes, urina, sêmen, merda, suor, micróbios, bactérias. Ou não é. Se é só ternura e espiritualidade etérea, se reduz a uma paródia estéril do que poderia ser. Nada”.

  3. Cara, eu acho esse comportamento muito babaca. Simplesmente por que enquanto vc ainda é viril e jovem terá muitas mulheres e ficará sozinho por suas escolhas, mas quando seu amigo parar de funcionar e suas amantes te deixarem, só lhe restará o consolo de uma solidão talvez em um asilo ou coisa do gênero, torcendo para ter uma boa saúde, pois caso contrário, vc irá se privar dos últimos momentos para pensar de sua vida, inútil.

  4. Alessandro Martins

    dezembro 1, 2013 at 12:09 pm

    Desculpe, mas babaca é você por acreditar que um homem só depende de seu pau para ter relacionamentos. Além de babaca é machista. O que dá praticamente na mesma. Passar bem.

  5. Alessandro, meu caro, não se incomode. Pelo comentário, é fácil concluir que o texto não foi lido.

  6. interessante sua análise! Amo seus “escritos”

  7. Gente…fica até parecendo que é sério!

  8. Parabéns pelo texto, tenho vivido coisas parecidas e é difícil compartilhar, pois o pré-conceito e grande, gostaria de conhecer mais pessoas assim, um grande abraço!

  9. Cristina Dias, traduziu muito do que penso. Obrigada!
    Existem fronteiras tênues, e acho que os relacionamentos livres quando começam a estabelecer muitas regras acabam caindo nas falácias da monogâmia. Que a gente possa ser livre se respeitando, sendo sincero, e levando as relações da melhor forma possível, sem tentar criar receita de bolo. Que a gente saiba dar amor e saiba pedir e receber também.

  10. Caro Alessandro, muito interessante a sua visão e história, é um homem corajoso porque sabe que há muito preconceito com o que não é padrão e mesmo assim não se esconde! Admiro você, gostaria de saber se posso lhe escrever em particular para lhe contar a minha história e obter alguma clareza sobre ela, na verdade, gostaria de obter clareza, opinião (sincera) e conselho, se possível. Desde já agradeço. Paula

  11. Alessandro Martins

    dezembro 3, 2013 at 10:51 am

    É sério, Isabel.

  12. Gostaria te ter essa capacidade e tals. Mas acho que não conseguiria…Apesar de não condenar e até admirar um pouco essa escolha, sou ciumento demais p aceitar uma coisa dessas rsrs. Mas cada ser humano é um mundo único, portanto cada um sabe qual é o seu limite. Se vc realmente esta feliz assim Alessandro, vai em frente e que se dâne todas as falsas ideologias sociais… antes viver assim do que num relacionamento monogâmico repleto de desrespeito, traições e sofrimentos.

  13. Alessandro Matins, parabéns pelo seu texto! Sobretudo, parabéns por sua coragem! É tão raro ser sincero…
    É evidente a diferença apontada por você entre o comportamento dos homens e o das mulheres. É assim, e pronto. Acho que não mudará. Talvez só nos caiba aceitar com resignação, e encontrar alguma forma de viver sabendo diante disso.

Por favor, seu comentário é MUITO importante.

© 2017 Alessandro Martins

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