Fui convidado a participar de um post sobre garotas de programa no Twitter no site do YouPix. Minha resposta ficou muito longa e, por via das dúvidas, fiz uma versão menor para garantir. A versão menor foi a escolhida pela editora do artigo, mas eis aqui minha versão original:
A internet e tudo o que nela há é uma reprodução do mundo. E, se não do mundo, ao menos dos desejos do mundo. Talvez com a diferença de esse ambiente ainda ser, talvez, mais libertário, mais autogerido que nossas calçadas de concreto: embora as leis do mundo se apliquem a ele, creio que, na internet, ainda agimos dentro e fora delas mais por consciência que por medo de punição, respeitando-as ou violando-as de acordo com nosso julgamento ético (ou falta dele).
Assim, se desejo evitar encontrar uma pessoa, não é preciso abolir, por mágica, sua existência ou restringir sua liberdade. Basta que eu mesmo, livrevemente, mude o trajeto que faço de casa para o trabalho. Ou, no caso da internet, não a siga no Twitter.
Putas sempre existiram e, aparentemente, apesar de todos os esforços positivos daqueles que, com razão, veem nisso a exploração do sexo feminino, sempre existirão.
Por acaso, puta é palavra que se usa para aquelas pessoas que decidem vender seus favores sexuais por preços que, independentemente dos valores, sempre serão baixos. Porém, não inventaram uma palavra específica ou genérica para aqueles que decidem vender seu tempo, por um valor mais baixo ainda, para atividades com as quais não concordam totalmente ou que julgam erradas ou que, simplesmente, não tem um significado especial para sua vida. Diariamente, pessoas saem de suas garagens ou tomam o transporte coletivo para isso. De segunda a sexta.
Porém, se há a oferta de um produto e de um serviço é porque há a procura por ele de um lado e, em troca, a necessidade de um valor do outro, seja o dinheiro que as carteiras proporcionam, seja a atenção que o Twitter ou outra ferramenta dá: mas nem sempre a comida padronizada que se compra no mercado é o feijão com arroz, tão cheio de individualidade, que se prepara em casa.
O comércio mais selvagem sempre acaba sendo um truque de substituição: enlatados nunca serão alimento de verdade, mas servem para aplacar fomes urgentes. A publicidade sabe disso mais do que as putas, por exemplo, e tem mestria em convencer-nos de fomes, desejos, necessidades, ânsias que nem sabíamos que tínhamos.
As putas, no entanto, sempre foram tema e musas de algumas das mais belas obras artísticas, na literatura, na música, na pintura, teatro e cinema. No ambiente das putas, já se fez Cultura e História. E, ao mesmo tempo, algumas das melhores e mais nobres pessoas deste e de outros tempos já foram chamadas de putas ou de filhos delas. Sem sê-lo. O que, ao meu ver, só enobrece a palavra e a atividade.
Demonstre seu carinho por meu trabalho!
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Alessandro,
Como sempre é um prazer quando abra a caixa de mensagens e tem um texto seu lá. E em se falando de putas, melhor ainda. Não entendo o preconceito das pessoas com relação à profissão. Entendo ser contra a exploração, conforme mencionado. Eu, como mulher, respeito muito mais uma mulher que ganha seu dinheiro vendendo o corpo desta maneira, do que quem se relaciona por interesse, que acaba sendo uma venda da mesma maneira, sem combinação prévia.
Um beijo,
Claudiana.