nudez

Recentemente, um link que publiquei na fan page do blog Livros e Afins no Facebook, foi tirado do ar e minha conta temporariamente bloqueada por conta disso.

O link dizia respeito a um programa da TV brasileira que trouxe, pela primeira vez, pessoas nuas para o palco sem explorar nossa carência, nossos tabus, nossos preconceitos e nossas vergonhas de forma negativa como, habitualmente, é feito com pessoas muito mais vestidas do que, na ocasião, se viu.

Sobre isso, simplesmente citarei a autora Carolyn Latteier, de uma entrevista dada por ela em junho de 2002:

“Entrevistei uma jovem antropóloga trabalhando com mulheres em Mali, um país da África onde as mulheres andam com os seios nus. Estão sempre amamentando seus bebês. E quando ela lhes contou que em nossa cultura os homens são fascinados com seios, houve um instante de choque. As mulheres caíram na gargalhada. Gargalharam tanto que caíram no chão. ‘Quer dizer que os homens agem como bebês?’, disseram.”

Os mesmos homens que agem como bebês – e também mulheres, por ato reflexo – foram os que denunciaram aquele link, então censurado.

Os mesmos que lamentam a morte de Norma Bengell, protagonista do primeiro nu frontal do cinema brasileiro, foram os que tão engenhosamente censuram o nu frontal apresentado de norma saudável na tevê brasileira. Imagine que teve gente falando em atentado violento ao pudor. Não ouvi as palavras, apenas as li, mas consigo imaginar a ênfase que a pessoa deu ao termo “violento”. Violenta é a forma como o corpo humano é enquadrado, explorado e censurado e isso não tem nada a ver com a quantidade de roupa com que ele é coberto ou não coberto.

photo credit: ruurmo cc