Uma dominatrix ensinando você a ser livre

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Dommenique Luxor é uma dominatrix profissional brasileira e, em seu livro, Eu, Dommenique (compre aqui), ela conta como se tornou uma dominadora e como, além de tudo, uniu o que sexual e pessoalmente lhe agradava a um modo de vida.

Mais do que uma história erótica, o leitor, independentemente de sua identidade sexual, encontra um convite a uma individualidade mais plena, mais livre e que vá ao encontro da verdadeira realização pessoal, não importa qual seja ela, para qual direção a sua bússula aponte.

Se você acompanha meu blog pessoal e meu tumblr Pinky the Kinky (só clique se for maior de 18 anos), principalmente se conhece meus textos mais antigos, não se surpreenderá ao saber que eu sempre fui um fetichista, principalmente no que diz respeito a látex, a botas e às mulheres poderosas e malvadas que trajam esses materiais e acessórios. Sempre fui um simpatizante do BDSM.

Se você me conhece mais ainda sabe que eu tenho um relacionamento de dominação/submissão com uma amiga muito querida, talentosa, linda, gostosa e fodona.

Então eu, de fato, tenho uma coisinha ou duas a dizer sobre o livro de Dommenique, de quem me tornei fã desde que vi uma entrevista dela no Jô Soares.

O primeiro aspecto que me agradou: trata-se de experiências reais. Além disso, nada do que está ali relatado pretende preencher alguma necessidade emocional mal resolvida dos leitores. Nada no livro de Dommenique é recalque enfeitado com pitadas de sexo pouco convencional.

A inconvencionalidade deixa-se para alguns outros lançamentos editoriais recentes, em que há esse tom de singularidade e estranhamento e não a naturalidade, como naturais deveriam ser as variedades das manisfestações sexuais. Ainda que incomuns. E, ainda que incomuns, elas são narradas muitas vezes a seco, sem dar muitas satisfações ao leitor menos crédulo, por justamente não precisarem de explicações. Apenas são.

E, nesse entremeio, revela-se uma mulher extremamente sensual – no sentido de alguém ligado aos sentidos, sejam táteis, olfativos, auditivos ou visuais – como quando Dommenique descreve suas sensações ao se preparar para uma cena, vestindo-se da cabeça aos pés de látex (só quem ouviu e gosta sabe como é delicioso o som do látex ao se mover comprimido contra a pele).

Outra ponto positivo, e esse é algo pessoal e sei que muitos do meio BDSM talvez venham a torcer o nariz para a minha opinião (e eu os respeito), é o fato de ela não se curvar a regras, sendo que muitos adeptos desse estilo de vida são partidários de diversas regras comportamentais a que chamam de Liturgia: como um submisso ou uma submissa devem se comportar não só perante seu dominador ou dominadora, mas também perante a uma comunidade toda. Ela sabe muito bem o que lhe dá tesão e se, para obtê-lo, for necessário quebrar regras ela as quebra. Por exemplo, em alguns meios é inaceitável que a dominadora faça sexo com o submisso. Ela, se lhe dá vontade, faz.

A meu ver esse tipo de comportamento sexual é transgressor e, portanto, extremamente libertador (engraçado falar em liberdade em um relacionamento em que se é escravo de alguém, mas é isso mesmo). Para mim, e não cansarei de dizer, apenas para mim, submeter um comportamento transgressor a leis rígidas não faz sentido (a não ser que seja para transgredi-las).

No entanto, abro um parêntese aqui. Um parêntese muito importante. Como Dommenique, defendo que libertariamente cada um deve buscar o que lhe dê tesão, desde que seja dentro da ética e da lei (vamos deixar a moral de fora, né?). Assim, se você é um adepto da Liturgia BDSM, tem tesão por isso e acha importante, tem meu total apoio desde que não imponha seu tesão aos outros. Afinal, o BDSM tem três regras simples e básicas – e essas sim eu considero imprescindíveis: ele deve ser são, seguro e consensual. Isto é, todas as partes envolvidas devem estar de acordo.

E eu estou de acordo em indicar este livro pra você como uma possibilidade de conhecer um lado do BDSM que me agrada muito e, de quebra, conhecer uma mulher que realizou o sonho que muitos de nós temos: realizar-se pessoal, financeira e profissionalmente fazendo algo de que gosta.

1 Comment

  1. Gostaria mto de aprender ! Como eu faço ? Tenho mto curiosidade

Por favor, seu comentário é MUITO importante.

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