AuthorAlessandro Martins

Lindos jardins de Curitiba

condomínios fechados
todos cercados
de arames elétricos
 
meio metro de grama,
pavor quilométrico
 
mais medo brotando
que os frutos de antes
 
cercas cortantes,
guaritas armadas,
quintal resguardado
de vidas mal vindas:
 
o pijama listrado,
o que não tem,
só tem fome,
cada vez mais,
aqui, agora,
fica lá fora
 
longe, na periferia,
na margem, nos confins
 
deus me livre
da liberdade
que nunca tive,
de que me esqueço
e que me nego,
ao outro e a mim
 
no lugar, aceitamos:
as cercas,
arames,
voltagem,
armas,
 
coragem?
 
não, coragem, não.
 
porque coragem falta,
porque pra coragem
precisa amar.
 
a palavra coragem
vem de coração
 
coração tem leão,
mas somos hienas
de tripas pequenas
e riso idiota
 
assim, amor também falta.
 
e a falta de amor
faz o medo imperar
 
menos sim, mais não
negar, negar e negar
por medo de perder
por medo do outro
 
por medo,
prefiro o anel
 
que levem o dedo
que levem a alma
que levem o carinho
 
mas dentro da cerca
faço de aço
e chumbo
meu ninho
 
eu, meu anel e meu medo
e essa teia de arame que teço
 
é tão difícil ver?
 
desde o começo,
o campo de concentração
de menos sim e mais não
tá virado do avesso

A saudade

A saudade tem quatro jeitos de resolver
Eu vou aí
Vem aqui você
A gente se encontra no meio
Ou dá um jeito de esquecer

Hoje sonhei com uma mulher do meu passado

Hoje sonhei com uma mulher do meu passado. E eu lhe contei que volta e meia lembrava de bons momentos nossos. Abri o meu coração, sim, como costumava fazer quando era mais jovem, sem medos ou reservas, como quem pula de paraquedas, sem conferir o equipamento, por se imaginar imortal. Lhe contei o carinho que tinha por ela e por todas aquelas recordações. Estávamos de carro. Eu dirigia. E ela respondeu me contando como amava seu atual companheiro, uma pessoa que tem ciúmes até do que eu escrevo, e como é amiga dele como nunca foi de ninguém e como tudo é perfeito. A essa altura estávamos de bicicleta em um trânsito difícil. Eu a assisti afastando-se, afastando-se, afastando-se enquanto falava, falava, falava e sua voz ia ficando mais baixa, como nos gibis as letras vão ficando menores, menores, menores, até que desapareceu, ocultada por carros, caminhões e motocicletas. Acordei suando e xingando muito. Que pesadelo. E é por isso que não pulo mais de paraquedas.

O que você quer ser quando crescer?

A crueldade de perguntar a uma criança o que ela quer ser quando crescer. Ela já é o que ela quer ser: essa coisa sem nome que ainda brinca e imagina coisas no presente. E a gente ensinando os primeiros passos da ansiedade, em que se projeta a realização em um futuro sempre por vir: essa coisa sem nome que não brinca e imagina coisas assustadoras em qualquer ponto do tempo, menos no presente.

Passeando pelas tripas de um mendigo

Em Hamlet, num dos mais engenhosos diálogos da obra, o personagem título demonstra a seu tio Cláudio (SPOILER ALERT: assassino do pai do moleque) como – depois de ter seu cadáver devorado por um verme que, então, é devorado por um peixe que, por sua vez, é devorado por um miserável – um rei pode passear pelas tripas de um mendigo. De fato, isso nos coloca a todos num pé de igualdade muito maior. Por alguma razão, associei essa ideia às mídias sociais que, com todos os seus defeitos, tem ao menos a virtude de colocar aqueles que se considerem ou que assim são considerados mais nobres ao alcance das vozes dos que são ou assim são considerados mais mendigos. No entanto, todos estamos passeando por tripas. Neste caso, por exemplo, as de Zuckerberg.

PS – O texto foi escrito no contexto do Facebook.

The end

E a cada encontro eu contava a história da minha vida amorosa.
 
No primeiro encontro, eu não contei nada. Pois não tinha história a ser contada e eu não sabia contar histórias.
 
No segundo encontro, eu contei o primeiro. Como começou e como terminou. Contei mal, pois ainda não tinha prática.
 
No terceiro, contei o primeiro e o segundo. Como começaram e terminaram. Aí eu já sabia até escrever, inspirado por Leminski, Sabino, Drummond e outros.
 
E assim por diante. Ia tecendo a vida e os amores.
 
E, em vez de se afastarem – por saber como amei todas as anteriores e como fui feliz e também sofri por elas, as anteriores -, essas mulheres se apaixonavam por esse homem que tinha histórias. Que amava, que sofria, que podia amá-las e sofrer por elas também.
 
Mas, lá pelo trigésimo, as histórias ficaram muito longas.
 
Comecei a resumir, contar fora de ordem, misturar uma com a outra, como se uma fosse outra e outra fosse uma ou como se duas se reunissem numa única. Ou como se eu fosse vários que houvesse amado apenas uma.
 
E a cada novo encontro reconstruía uma nova mesma história a ser acrescentada na maçaroca de histórias amorosas.
 
Penso numa bola de neve, como se eu tivesse rolado ladeira abaixo e deixado me tocar por tudo isso, deixando que tudo se agregasse à minha vida.
 
Penso num desses filmes em que o herói tira a camisa e está cheio de cicatrizes. Um corpo, uma alma rabiscada com garranchos, filigranas, caligrafias, quelóides, buracos, inflamações.
 
Estou cansado de contar histórias. Estou cansado de que minhas cicatrizes contem histórias por mim.
 
Quero um fim.
 
Quero um encontro em que eu não conte nada. Que eu fique em silêncio. Que eu não me mostre e, ainda assim, a outra pessoa me veja integralmente.
 
Tá na hora de um the end.

Protegido: Ensaio feito pelo Alexandre Chaym

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Ensinamentos da sola

Andando a pé aprendemos que há coisas que só se percebe indo pela contramão.

Tá liberado quebrar tudo

Tá liberado quebrar tudo. Não é vandalismo. É salvaguarda de direitos através da reação e da força popular. Popularizou-se o termo recado das ruas, como se o povo fosse garoto de recado. Garoto de recado se recebe ou não se recebe. Se ouve ou não se ouve, no papel servil que nos dão com esse termo. As pessoas, as pessoas que realmente precisam dos direitos prestes a serem suavemente retirados em parcelas que vão a 20 anos, não deveriam ser garotos de recados. Desses que pacífica e bovinamente se deslocam na avenida, tirando foto com a autoridade e sendo muito bonzinhos. Porque, esses, mudar, mudar querem, desde que tudo continue o mesmo. Se possível, mais igual ao passado ainda. E balança a bandeirinha (que nunca será vermelha, mas que possivelmente foi feita na China). A gente come com a mão. Alguns de nós, quando tem comida, comem. Quando tem mão. Quando tem horário de almoço. Então, tá liberado: pode quebrar tudo. Que não é hora de dar recado. É hora de falar de perto. É hora de bater na porta do síndico. A gente quer subir pelo elevador social pra quebrar a cobertura. Porque isso não é vandalismo. Vandalismo é bolar um jeito de quebrar as coisas bem devagar, tipo em vinte anos, de maneira que não dê para culpar ninguém quando tudo estiver consumado e enquanto alguém ou alguéns embolsam a diferença da conta, a diferença entre o edifício inicial, digamos o de uma escola, e a ruína desse edifício. Entre um hospital e a ruína de um hospital. Em vinte anos, o olho humano não consegue acompanhar. Chamam isso de política, outros ainda chamam de ilusão de óptica, mas isso, isso sim, eu chamo de vandalismo. Então, pode quebrar tudo. Por mais marretas que tenhamos, jamais seremos capazes de destruir tantas coisas em um dia quanto eles, os engravatados de Brasília e de outras capitais, o farão em 20 anos, bem devagarinho. Esses gênios que transformam seu vandalismo em câmera lenta, sob a benção de seus próprios votos, em dinheiro. Uma verdadeira arte. É pornográfico esses engravatados, os santarrões, falarem de austeridade pra gente que trabalha a vida inteira e vai se aposentar à beira da expectativa de morte, sabe lá em que estado de saúde. É pornográfico. Queria ter a chance de cuspir na cara de cada um deles. Austeridade na educação de quem pode mandar o filho estudar em Paris? Austeridade na saúde para quem pode ficar no Albert Einstein? Mas de uma coisa você pode ter certeza: vai sobrar recurso, nesses vinte anos, para investir em segurança. Porque da desigualdade social nasce o medo. O medo de quem tem em relação a quem não tem. E quanto maior a diferença, maior o medo. Então, pode ter certeza de que vai ter grana para segurança, embora isso, dizem, seja de alçada estadual. Portanto, pode quebrar tudo. Está liberado. Já teve até um senador que quebrou a lei na frente de todo o mundo, talvez pelo hábito de tanto fazê-lo às escondidas, e ficou tudo lindo. Quem sabe, a gente quebrando o resto fica ainda melhor. Quebra tudo. Trata-se da salvaguarda dos direitos de quem mal sabe que pode exercê-los, direitos que podem ser perdidos antes mesmo de que esse conhecimento se dê. Quebra tudo.

A paixão, segundo Lucrécio

Ainda vendo os vídeos do Clóvis de Barros Filho: “Vc poderia ser viciado em Choquito, pois pode comprar caixas e caixas de Choquito e, desta maneira, controla o mercado de Choquito e supre sua demanda. Mas, na paixão (o “pathos”, de Lucrécio), você não controla a presença do ser amado e, menos ainda, a presença alegre do ser amado. E, portanto, a paixão é a pior das moléstias.”

Quem cria as regras morais

Estou vendo a aula do Clóvis de Barros Filho sobre o eterno retorno de Nietzsche e preciso registrar essa definição de moral: “Segundo Nietzsche, toda a moral é uma orquestração do sindicato dos bundões para impedir que pessoas desejantes manifestem o seu desejo com potência.”

Da necessidade do ódio

Ao ver tantas manifestações de ódio – mesmo aquelas vindas da indignação causada pela cobertura pobre desta ou daquela página sobre a tragédia -, digo: ame e ame-se mais. Esta necessidade de precisar de um pretexto para manifestar o ódio só significa uma coisa: as pessoas TÊM ódio e precisam manifestá-lo. Para isso, necessitam de um pretexto. Esse pretexto será qualquer um: o amigo que não é vegano, a página do Facebook, uma fechada no trânsito. Então, APRENDA a amar. Estamos indo muito mal nessa matéria e o Facebook é uma fotografia disso.

Motivacional

Não tome as palavras de motivação de pessoas bem sucedidas ao pé da letra. Muitas vezes se trata de o mesmo que aceitar um conselho financeiro vindo de pessoas que simplesmente ganharam na loteria.

A quem interessa a saúde

Segundo Demócrito, saúde e doença são muito mais uma questão política, uma questão do interesse de quem é investido do poder de curar do que da própria possibilidade de curar. Definir o que é saúde e doença são troféus socialmente legítimos. Em outras palavras, é indiscutível o poder daquele que tem a legitimidade e a autorização social para definir o que é estar são e o que é estar enfermo. Porque o enfermo, sendo arbitrariamente categorizado como um anômalo, terá de se submeter a algum tipo de processo corretivo habitualmente chamado de cura e, normalmente, é conferido o poder para curar àqueles que têm também a legitimidade para definir o que é saúde e o que é doença. Portanto, trata-se mais de uma questão política, particularmente de poder, do que uma questão orgânica. (Explicado por Clóvis de Barros Filho).

Estas poucas linhas explicam o que uma amiga minha certa vez disse: para a indústria farmacêutica existem dois tipos de clientes indesejados – os que se curam e os que morrem.

Os doentes crônicos são o objetivo de uma indústria cuja motivação é não curar, mas lucrar.

Preciso jogar suas fotos fora

Preciso jogar suas fotos fora antes que eu as encontre daqui vinte anos. Antes que eu as depare, perdidas no meio das páginas de um livro que lemos juntos. O susto de ver a si mesmo, num outro dia que foi muitos, frio, mas luminoso, um passado inteiro a mudar de assunto, a esconder a indagação, se os olhos da moldura pudessem ver os meus, fundos e sem perdão, a questioná-los: quem são? Antes que sóis e luas passem e o cheiro das damas da noite mude no percurso morno de verão: preciso jogar. Preciso me livrar, antes que elas me surpreendam e me contemplem de volta como o abismo. Preciso evitar o susto, o sismo, de daqui a uns vinte anos quando todos os planos dariam e não deram, depois que os caminhos se bifurcaram no labirinto do tempo. Os retratos, ermos nas paredes, frutos não vingados, colhidos para a reclusão no guarda-roupa, atrás das peças de inverno, sem luz, sem gesto terno. Preciso me livrar desses dois olhares encantados, dos sorrisos congelados, da posteridade do olhar, dessas duas decepções a se contemplar. Tenho que jogar fora a eternidade, antes que complete duas décadas de idade, antes que seja tarde.

Como abraçaria meu Brasil

Ah, meu Brasil, meu Brasil criança,
que vontade que eu tinha de abraçar você,
nos pontos de ônibus lotados,
nos portões de escola às sete da manhã,
estudantes a esperar que sejam abertos,
na saída das missas, no intervalo da fábrica.

Nos engarrafamentos e em estradas que dão em lugar algum.
Talvez em alguma cidade bem pequena,
destas em que você diz bom dia e o outro responde.

E daí, saída do nada, uma vaca.
Uma vaca brasileira contempla a névoa da manhã
com olhos plácidos e brasileiros.

Um cão brasileiro passa também
atrás de uma árvore para mijar.

Ah, meu Brasil, meu Brasil criança, que abraço eu daria.

Como o sol abraça suas praias,
seus planaltos e cada reentrância de pedra
por onde a luz, brasileira, consegue penetrar.

Um abraço que abrace o longe e que abrace o perto,
como as cartas, tão raras hoje em dia,
do filho estudando na metrópole para a mãe analfabeta.

Ah, meu Brasil, meu Brasil criança,
mais que pátria mãe, nação filha, terra fugidia
e indefinível nos parentescos de primeiro grau.

Como o embalaria, na voz do violeiro
que, mesmo virtuoso, jamais será conhecido, mas existe.
E que é triste, não por isso,
mas porque canta canções tristes.
Mas é feliz de vez em quando.

Como amaria você, meu Brasil criança,
nos cabelos da moça que passa todo dia,
perdida em pensamentos de coisas brasileiras.
O que é isso que ela pensa e o que poderia eu saber?
Se não entendo o Universo,
como poderia entender esse Brasil.

Como abraçaria meu Brasil, meu Brasil criança,
no prédio que alguém ergueu
vendendo barato um tempo brasileiro
de um brasileiro a um dinheiro sem pátria e sem substância.

Na capa de tinta e reboco e fuligem e poluição,
expressão abstrata, dura e suja
das mãos e dos calos que não estão mais ali,
mas num bairro distante,
bem longe das coisas que só o dinheiro pode comprar.

Nos velórios, no morto, na lápide, abraçaria.

Até nas grades, abraçaria.
As barras de culpas diferentes para indecências iguais.
Os méritos de merecedores por indecências maiores e invisíveis.

Pra mim, não. Pra mim, não. Abraço os não merecedores.

O Brasil, meu Brasil criança, é inocente.
Ele sabe bradar mas não sabe o que quer.

Como abraçaria, nos hospitais e padarias,
na gaze e no pão e na espera pra ser atendido.

O Brasil, esta invenção de 8 milhões de quilômetros quadrados,
com 200 milhões de almas enfiadas necessitadas de abraço,
para fazerem tudo com elas, menos abraçar.

O Brasil, meu Brasil criança,
milhares de milhares de desamparos
violentados com constância e disciplina militar,
com a sanha do vício, com a mão fechada da ganância.

Meu Brasil, meu Brasil, meu Brasil criança,
que confronta em si mesmo e que contraria a si mesmo,
que quer e não quer e que chora e que ri ao mesmo tempo
e que esperneia, como o cão que corre atrás do rabo,
como o desenho animado que desfere socos contra a própria cara enquanto o outro já está fora da briga a lhe apalpar os bolsos.

Abraçaria meu Brasil, nas mulheres e homens que morrerão amanhã, não importa o motivo, violento ou não.

Naqueles que se acham governados,
mas que seguem suas vidas desgovernadas,
como sem freios e na ladeira,
como sempre foram com este ou aquele governo.

No fundo, o desamparo não muda,
o desamparo tem sido o partido único do meu Brasil criança,
como o desamparo daquele que esperou a justiça,
mas morreu antes.

Nas mães, nas filhas, nas que não têm nem mãe nem pai.
Nelas, abraçaria.
Nos bichos, nas árvores, na lama, no pó,
nas casas e, ao relento, os que foram desabrigados.

Na riqueza e na pobreza, como nos matrimônios,
e abraçaria os noivos.

Na velhice, o passo lento abraçaria.

Nos adjetivos e nos substantivos concretos e abstratos,
sim, até no que não é de pegar e que não é abraçável
e nas palavras que foram inventadas aqui nesta terra por anônimos.

Abraçaria a lágrima,
as calças sujas,
o uniforme puído, pois é o único que tem para trabalhar,
o sapato furado.

No ar, na nuvem.

Como abraçaria meu Brasil, meu Brasil criança, pátria mãe, nação filha, que não se define por parentescos de primeiro grau.

Como abraçaria meu Brasil.

Finalmente

Privatizaram a opinião pública.

Amizades e memória

Pessoas amigas são esta extensão de nossa memória, dos fatos que preferimos esquecer – a fim de acharmos que somos melhores do que realmente somos – e dos acontecimentos bons que, por falta de espaço, tempo e capacidade de armazenamento não cabem em nossas próprias lembranças e cujo esquecimento, por vezes, nos faz acreditar que somos piores do que realmente somos. As amigas são a nuvem – clara, sortida, macia, energizada – de nós mesmos.

Protegido: O peixe comeu minha cabeça

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Certos amores são como taxistas

Certos amores são como taxistas que levam o passageiro para fazer um tour pelo paraíso mas o largam no inferno.

O que é o amorrrrr

Amamos pessoas que têm neuroses que encaixam nas nossas.

Jaula imaginária

A jaula imaginária dela era tão intensa que, quando teve que seguir adiante sozinho – pois ela decidira ficar ali encarcerada -, ele prendeu o pé nas grades durante algumas semanas.

Feliz Natal?

Nada mais democrático que os votos de festas de fim de ano, que permitem que até aqueles que, por gestos, comportamentos e atitudes, provocam grande infelicidade possam, por palavras, desejar um Feliz Natal a todos. Eu desejo a você e a mim que tenhamos um 2015 em que sejamos capazes de chegar a dezembro sem precisar de lugares comuns e palavras vazias, pois tudo foi dito e, acima de tudo, feito ao longo dos outros meses e, assim, contemplemos mudos e de fato felizes as luzes, os presentes, os enfeites e o amor verdadeiro: aquele que não se diz, mas se realiza.

Red Bull te dá asas

Acabei de saber que o Red Bull começou como um “tônico” para manter acordados os trabalhadores da construção civil na Tailândia. Considerando que a ideia de “trabalhadores da construção civil que precisam ficar acordados na Tailândia” – o que não sugere as melhores condições de trabalho – e o fato de eles trabalharem nas alturas, o slogan “Redbull te dá asas” passou a fazer mais sentido.

Zoológico

Por vezes, sou como um bicho selvagem pra lá e pra cá na jaula do pensamento.

Ansiedade

Uma das definições de ansiedade: reação negativa ao fato que que não temos controle sobre todos os eventos de nossa vida ou reação negativa ao fato de que, quando se tem excessivo controle sobre tudo, esse controle está sendo perdido.

Todos merecem o melhor

Relacionar-se afetivamente com pessoas doentes deixa você doente também. Pergunte aos familiares de drogadictos, que, muitas vezes, não têm opção (já fui familiar de uma, meu pai). Elas merecem o melhor, mas deixe-as para os especialistas em saúde. Parece cruel, mas não é. É uma questão de autopreservação sua e de cura da outra.

Autocompaixão e autopiedade

Autocompaixão é diferente de autopiedade. A autocompaixão pressupõe uma ação efetiva, às vezes de aparência dura, tomada por você mesmo no sentido de tirar você da merda da autopiedade.

Automobilisticamente desatualizado

Atualmente, posso dizer de boca cheia: não sei diferenciar os modelos ou marcas de carro uns dos outros. Divido os veículos entre os que são e os que não são Kombi.

Protegido: Lista de newsletters por ordem cronológica, da primeira à última

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Vícios 2

O que nos envenena não são os venenos, as paixões e os vícios, mas esta sede insaciável por dopamina que nos consome.

Vícios 1

Os vícios são os desejos fáceis de realizar que abraçamos para compensar nossa incompetência em realizar os difíceis.

Tentativa infrutífera de haikai #1

Sexta-feira, dia findo. Vejo, da janela, tudo que restou dela, o sereno que vem caindo.

Relatividades

Água fervendo apaga fogo mas também queima.

Mensagem não recebida

Sabe aquelas tremidinhas involuntárias que às vezes dá na pálpebra? Eu sempre penso que meu corpo está querendo dizer algo e acho uma pena não saber Código Morse.

Mamãe, eu quero ir a Cuba, quero ver a vida lá. Mamãe, eu quero ir a Cuba e quero voltar

Brasileiros ameaçando ir morar em Miami com medo de o Brasil virar uma Cuba. Eles sabem que tem uma colônia cubana por lá? Só informando.

Oportunidade

Onde vemos as cruzes do ebola, esteja certo que há aqueles que já veem cifrões.

Ornitolinho

Ornitorrinco ingênuo.

Hipopóstumo

O hipopótamo pós-lápide.

Considero uma dúvida válida

Aqueles filmes em que o personagem fica obcecado por algum tipo de teoria da conspiração e começa a colar recortes de jornais na parede. 1. Que tipo de gente ainda compra jornais? 2. Ele não conhece o Pinterest?

Murrica

A “ideia” de Estados Unidos da América é tão megalômana que toma-se por lá o nome do continente todo, América (o que inclui a do Norte, Central e a do Sul), para designar tão somente aquele país. E alguns dos caipiras de lá ficam ofendidíssimos se alguém diz que, por exemplo, Bolívia também é América.

Pelo esforço

Pode-se diferenciar o vício da virtude pela quantidade de esforço envolvida na satisfação provocada por um ou pelo outro.

Problemas dos novos tempos

Pessoas procurando depilação em ovo.

Os marceneiros

Fui assistir a Os Mercenários sem querer pensando que era um documentário sobre marcenaria.

Visões limitadas e limitantes do que são o feminino e o masculino

dana linn

Basta publicar uma imagem como esta da Dana Linn Bayley para que surjam imediatamente comentários dizendo o que é e o que não é feminino, geralmente de autoria de homens, dentro de padrões limitados e limitadores da normatividade. Alguns chegam a dizer que não “transariam” com uma “mulher assim”. Para este argumento, é o contrário: provavelmente ela é que não quereria você. Para os que eventualmente venham a dizer que este não é um “corpo feminino”: lamento e esta informação PODE SER CHOCANTE PRA VOCÊ, mas ninguém está no mundo para atender as suas expectativas individuais ou coletivas do que é “masculino” ou “feminino” (você vai ter que lidar com isso). Agora, se você acha que uma mulher musculosa não é uma mulher, talvez você deva olhar para seus próprios músculos, pois se esse é seu critério, se você é pouco musculoso, por sua lógica torta, VOCÊ talvez seja uma mulher (nada contra). No mais, tenho certeza de que ela ca-gou para sua opinião. Certamente, tem mais fibra, disciplina e força do que é necessário para digitar bobagens em uma caixa de comentários do Facebook.

CUIDADO!

Alguém que usa o termo “rala e rola” para se referir a uma trepada deve ter tido aulas de educação sexual com o Faustão. 

Sim que é não

Muitas pessoas não sabem dizer não: nesse caso o não pode ser ouvido no escasso entusiasmo do sim.

“É pra isso que eu quero liberdade de expressão”

Eu não entendo essas pessoas que ao mencionar “liberdade de expressão” a associam imediatamente ao direito que têm de ofender outras pessoas sem que essas tenham a mesma liberdade para expressar que estão ofendidas.

O motivo prioritário pelo qual você quer seus direitos diz muito sobre você.

O repúdio a Alex Castro

O meu amigo Alex Castro escreve, entre tantos outros sites, no da Revista Forum, sobre os temas que lhe são caros. Não tenho certeza se foi exatamente isso, mas suponho que tenha sido justamente o artigo em que ele declara não poder ter o protagonismo das causas que defende, por não ser originado dos segmentos com os quais tem empatia, que passou a ser acusado por pessoas desses mesmos segmentos de tentativa de roubar o protagonismo. Eis o artigo: Leia o resto deste post no Livros e Afins.

“Diversão”

Domingo, passei pelo Largo da Ordem, à tarde. Havia uma fila gigantesca para um lugar barulhento, lotado, visivelmente desconfortável, em que, provavelmente, ainda por cima, cobrava-se para entrar, e onde a água custa, sei lá, uns R$ 10 reais por garrafa. Havia ainda mais gente na fila, do lado de fora, que no ambiente e todos aguardavam com um aspecto de paciência bovina, inclusive os últimos a chegar (que só conseguiriam entrar dali a umas 14 horas). Era um dia lindo de sol. Ainda assim, por alguma razão, aquelas pessoas, nas poucas horas de folga que têm em suas vidas, preferiam estar naquela fila que trazia a promessa de diversão, uma promessa que só seria cumprida através da concordância coletiva (visto que, se cada um pensasse individualmente, veria que aquilo nao era divertido). Por quê? Enquanto isso, nós andávamos por ali, aproveitando o sol e até encontramos um banco para observar sentados o poente enquanto tínhamos uma conversa agradável depois de irmos à exposição de gravuras de Miró. Tudo grátis e sem fila!

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