Hoje sonhei com uma mulher do meu passado. E eu lhe contei que volta e meia lembrava de bons momentos nossos. Abri o meu coração, sim, como costumava fazer quando era mais jovem, sem medos ou reservas, como quem pula de paraquedas, sem conferir o equipamento, por se imaginar imortal. Lhe contei o carinho que tinha por ela e por todas aquelas recordações. Estávamos de carro. Eu dirigia. E ela respondeu me contando como amava seu atual companheiro, uma pessoa que tem ciúmes até do que eu escrevo, e como é amiga dele como nunca foi de ninguém e como tudo é perfeito. A essa altura estávamos de bicicleta em um trânsito difícil. Eu a assisti afastando-se, afastando-se, afastando-se enquanto falava, falava, falava e sua voz ia ficando mais baixa, como nos gibis as letras vão ficando menores, menores, menores, até que desapareceu, ocultada por carros, caminhões e motocicletas. Acordei suando e xingando muito. Que pesadelo. E é por isso que não pulo mais de paraquedas.

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Hoje sonhei com uma mulher do meu passado