condomínios fechados
todos cercados
de arames elétricos
 
meio metro de grama,
pavor quilométrico
 
mais medo brotando
que os frutos de antes
 
cercas cortantes,
guaritas armadas,
quintal resguardado
de vidas mal vindas:
 
o pijama listrado,
o que não tem,
só tem fome,
cada vez mais,
aqui, agora,
fica lá fora
 
longe, na periferia,
na margem, nos confins
 
deus me livre
da liberdade
que nunca tive,
de que me esqueço
e que me nego,
ao outro e a mim
 
no lugar, aceitamos:
as cercas,
arames,
voltagem,
armas,
 
coragem?
 
não, coragem, não.
 
porque coragem falta,
porque pra coragem
precisa amar.
 
a palavra coragem
vem de coração
 
coração tem leão,
mas somos hienas
de tripas pequenas
e riso idiota
 
assim, amor também falta.
 
e a falta de amor
faz o medo imperar
 
menos sim, mais não
negar, negar e negar
por medo de perder
por medo do outro
 
por medo,
prefiro o anel
 
que levem o dedo
que levem a alma
que levem o carinho
 
mas dentro da cerca
faço de aço
e chumbo
meu ninho
 
eu, meu anel e meu medo
e essa teia de arame que teço
 
é tão difícil ver?
 
desde o começo,
o campo de concentração
de menos sim e mais não
tá virado do avesso
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Lindos jardins de Curitiba