Em Hamlet, num dos mais engenhosos diálogos da obra, o personagem título demonstra a seu tio Cláudio (SPOILER ALERT: assassino do pai do moleque) como – depois de ter seu cadáver devorado por um verme que, então, é devorado por um peixe que, por sua vez, é devorado por um miserável – um rei pode passear pelas tripas de um mendigo. De fato, isso nos coloca a todos num pé de igualdade muito maior. Por alguma razão, associei essa ideia às mídias sociais que, com todos os seus defeitos, tem ao menos a virtude de colocar aqueles que se considerem ou que assim são considerados mais nobres ao alcance das vozes dos que são ou assim são considerados mais mendigos. No entanto, todos estamos passeando por tripas. Neste caso, por exemplo, as de Zuckerberg.

PS – O texto foi escrito no contexto do Facebook.

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Passeando pelas tripas de um mendigo